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Publicada por / sexta-feira, 26 de setembro de 2008 / 6 Comments / ,

[POST-IT]: O DESESPERO TEM UM NOVO NOME: SLOTMUSIC

Como sabem, no início desta semana, as quatro maiores editoras discográficas - Universal, Sony, Emi e Warner - anunciaram um novo formato de distribuição de música que, dizem, vai substituir o "obsoleto" CD. O novo suporte chama-se SLOTMUSIC e é um Micro SD (cartão de memória) de 1GB criado pela ScanDisk. A ideia é vender neste suporte álbuns inteiros em formato Mp3 com bitrate de 320Kb, sem DRM. Para além da música, estes cartões podem ainda incluir diversos conteúdos multimédia, como imagens, vídeos, booklets, entrevistas exclusivas, etc, etc. Como se não bastasse tanta fartura, o conteúdo dos SlotMusic pode ser copiado vezes sem conta para qualquer disco rígido, telemóvel, auto-rádio ou leitor Mp3. Ena, que maravilha! Só vantagens.
Ainda não é conhecida a data do lançamento deste novo formato, sendo certo que este chegará primeiro ao mercado norte-americano e só depois à Europa. Desconhecem-se também os preços a que estes cartões serão colocados à venda.
Apenas resta saber quem está disposto a gastar dinheiro nesta treta? Quem está disposto a pagar 15, 10 ou mesmo 5 Euros por cartões micro-SD com ficheiros Mp3? Eu não, caros amigos! Por discos, não me importo de pagar. Sempre que posso, compro-os. Agora, não pago por ficheiros. Gosto de discos, de lhes tocar, de olhar para eles na prateleira, de tirá-los da caixa e pô-los a tocar. Ficheiros são apenas...ficheiros. Por muito práticos e portáteis que sejam, não passam de ficheiros.
E os miúdos mais novos, habituados a comprar Mp3 nas lojas online, que lhes permite descarregar os ficheiros directamente para o computador sem precisarem de levantar o rabo do sofá, de que lhes serve um formato como o SlotMusic? Se, para a miudagem, os suportes físicos, como o CD, já não têm qualquer valor, que valor terá um simples cartão de memória?
Conseguem imaginar alguém ir de propósito à Fnac ou à Carbono comprar cartões de memória com ficheiros Mp3? Os mesmos ficheiros que, só por acaso, é possível descarregar para o computador, sem sair de casa. Os mesmos ficheiros que na Internet estão disponíveis...à borla! Alguém consegue imaginar este absurdo? Pelos vistos, as sumidades que gerem as 4 maiores multinacionais do disco, conseguem. Ideias absurdas é a sua especialidade. Esta é apenas mais uma prova evidente (como se fossem preciso mais...) de que estes "génios da gestão", pagos a peso de ouro, não passam de uma bando de imbecis, incompetentes e gananciosos, que apenas mostram eficácia a processar aqueles que partilham Mp3 na rede, a extorquir dinheiro aos artistas e aos consumidores, a cobrar fortunas em direitos de autor e a encerrar serviços inovadores como o Muxtape. Nisso sim, eles são bons.
Se estas cabecinhas duras acreditam que o SlotMusic vai salvar a indústria ou aumentar a venda de música gravada, então é melhor que comecem todos à procura de emprego, pois vai sair-lhes o tiro pela culatra. Mas, estes tipos são doidos? Mais facilmente o Nacional da Madeira vence a 1ª Liga, este ano.
O problema desta gente é que vive em negação. Estas "velhas carcaças" teimam em aceitar que os tempos mudaram, acabaram-se os lucros chorudos e os excessos do passado. Teimam em resistir às novas tecnologias (a maioria deles nunca deve ter feito um download de um mp3 na internet...) e aos novos modelos de venda e distribuição de música online, quanto todos nós sabemos que esse é o futuro deste negócio. Curiosamente, modelos que não criaram e não dominam. Veja-se o caso da iTunes Store. O que faziam as 4 “majors” em 2003, antes da Apple abrir a iTunes Store, para combater a "pirataria" e a descida de vendas de CDs? Provavelmente, estavam mais empenhadas em perseguir e processar os utilizadores dos peer-to-peer...Por que raio teve de ser a Apple - um fabricante de computadores e leitores mp3 - a desenvolver um novo modelo de negócio inovador e eficaz? Nos últimos anos, que me lembre, a indústria discográfica não conseguiu desenvolver e impor uma única ideia decente para salvar o seu próprio couro. Tiveram de ser outros a fazê-lo: Apple, My Space, YouTube, Last.Fm, Pandora, etc. A única preocupação das editoras tem sido a de sempre: facturar, facturar, facturar, de preferência, à conta das ideias de terceiros. E ai de quem não pagar...
E agora, ao fim de todos estes anos, o Slotmusic é a única coisa que este tipos têm para mostrar? A treta de um cartão Micro SD que, ainda por cima, não se pode ligar directamente a nenhum dos leitores de Mp3 mais populares do mercado: os iPods, da Apple, e os Zen, da Creative? Devem estar a gozar comigo...Ideias brilhantes como esta tenho muitas quando estou no WC...
Enfim, eis mais um sucessor do vinil e do CD condenado ao fracasso. Venha o próximo...
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6 comentários :

paxxxeco disse...

Partilho igualmente da tua opinião, pois não consigo descobrir sentido algum nesta ideia completamente estapafúrdia e utópica (mas direccionada para o pesadelo), que bem poderia funcionar noutra dimensão qualquer menos no panorama actual. Esses senhores deviam arranjar alguém desta geração para gerir as editoras pois teimam em ter ideias antiquadas e desprovidas de bom senso...ai ai, nada a fazer! Também a mim ninguém me tira o prazer de meter o tacto nos discos e andar meia hora à procura de um deles no caos, enquanto que vou encontrando outros que já me tinha esquecido pelo caminho. Apesar de novo sou antiquado nesta matéria e nem consigo imaginar a minha existência sem a tridimensionalidade do formato físico e tudo o que ela contempla, da cover art, aos lyrics, da info, do cheiro do cartão e do plástico, da luminosidade do disco, enfim, de os ter perto de mim, como expólio pessoal, e mirá-los com satisfação. Abrir um disco, acabadinho de chegar, e envolto em plástico e selos de segurança, e snifa-lo e apalpá-lo como uma criança é o melhor gozo que posso ter! Hão-de sempre haver edições físicas dos trabalhos, nem que seja para uma micro minoria de gente como nós, espero. Abraço
http://ekletric.blogspot.com/

Rai disse...

Estou de acordo meu caro.
grande abraço e até dia 10!

rai

O Astronauta disse...

Ora, nem mais, meus caros.

Cheers.

soares disse...

estou com o Paxxxeco:
"...Hão-de sempre haver edições físicas dos trabalhos, nem que seja para uma micro minoria de gente como nós..."

eu estou nesse barco!
aliás nunca comprei tantos discos como agora, na sua maioria usados, mas que me faltavam e que finalmente lhes posso mexer.

Não tenho iPOD, nem penso ter, nunca fui um "walkman addicted", aceito que o caminho passa pela venda de mp3s, mas estou com os AC/DC e com o KID ROCK, a iTunes não substituí os albuns. uma coisa é sacar musicas avulsas, outra são albuns. o MP3 serve para substituir o single. ai sim!
Agora, também que neste momento os artistas tambem deram um grande tiro no pé, durante muito tempo criticaram as editoras, que a muitos os enchiam de dinheiro para gravarem discos merdosos e que se revelavam verdadeiros "flops", por isso acho que a culpa não é só das editoras, tambem é dos artistas, pois tambem queriam ter mão no seu proprio trabalho, mas a vender pela net poderiam ser eles proprios a faze-lo e não, a ainda mais "multinacional" e "monopolista" que qualquer editora. Fala do Apple claro. o proximo inimigo a abater por tudo quanto é gente. é só esperar

O Astronauta disse...

Olá Soares,
a realidade actual é clara: têm de haver dois formatos disponíveis para os consumidores optarem, um digital e outro "físico".
Abdicar de um em detrimento de outro (como sugerem os AC/DC ou o Kid Rock) é uma tremenda estupidez e uma prova evidente de que os músicos das gerações mais velhas ainda não perceberem o mundo em que vivem. Essa ideia de apenas pretenderem vender álbuns e não singles é uma autêntica burrice. Se eu só quero a canção X ou Y de um determinado álbum, porque hei-de ser obrigado a comprar o disco inteiro? Qual o sentido? Porque não pode o consumidor optar por aquilo que quer em vez de ser obrigado a mamar com aquilo que não quer? Esses dias, felizmente, acabaram.
O facto de eu gostar de discos e não gastar dinheiro em mp3 não significa que o formato mp3 não faça sentido. Claro que faz. E muito. O problema são os preços a que estes são comercializados. Essa é que é a questão central desta "discussão". Como é óbvio, ninguém está disposto a pagar 99 cêntimos por algo que encontra na net de graça e sem DRMs da treta.
Imagina, alguém pagaria 15 Euros por um CD se houvessem sítios onde os oferecessem de graça? Claro que não...
Quanto à Apple, é preciso separar as águas:
1º se a Apple tem a maior loja de distribuição online, é por mérito próprio.
2º A Apple nunca impediu ninguém de criar as suas lojas online e nunca forçaram ninguém a vender mp3 nas sua loja, em exclusivo. Portanto, não entendo essas acusações de "monopólio"...
3º A Apple limitou-se a criar uma loja e um modelo de negócio rentável e eficiente e disseram às editoras: meus amigos, se quiserem vender mp3 na nossa loja, a nossa margem de lucro é 20%. Take it or leave it...As editoras aceitaram as regras do jogo. Que eu saiba, sem ninguém lhes ter apontado uma pistola à cabeça...
4º Uma loja como a Apple Store tem custos, é natural que a Apple não queira perder dinheiro com este negócio. Se eles acham que reduzindo a sua margem de lucro, perdem dinheiro com a loja, estão no seu direito de a fechar. Imagina-te no lugar da Apple: abrias uma loja de discos e, de um momento para outro, para manteres preços competitivos, serias obrigado a reduzir a tua margem de lucro de 20% para 10%. Acontece que com essa margem de lucro de 10% não conseguirias pagar o aluguer da loja, o salário aos empregados e por aí fora...Por quanto tempo valeria a pena manter a loja aberta?
E porque têm de ser os lojistas/retalho a abdicar das suas margens de lucro? Porque não as editoras, que é quem arrecada a maior fatia do bolo?
Os artistas sempre foram roubados nesta indústria. Sempre. Nunca os ouvi queixarem-se. Enquanto houvesse putas e drogas estava tudo bem...right? E sempre foram roubados pelos mesmos: as editoras. E agora, de repente, os maus da fita são as lojas e a Apple? Não me parece...

Abraços

P.S.: Também pensei que nunca ia querer ter um iPod até ter um. Acredita, mudou a minha vida e o modo como ouço música. Ouço agora mais música do que ouvia antes de ter iPod. Porquê? Porque os meus discos andam comigo para todo o lado...

soares disse...

tambem respondi a esta tua resposta e nunca apareceu. como aconteceu no post do Rio dos Duran Duran. passa-se algo aqui com os comments o blog

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