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Publicada por / quarta-feira, 26 de novembro de 2008 / 12 Comments /

[OFF-TOPIC]: MAPiNET, IDE-VOS FODER! OBRIGADO.

Segundo esta notícia do Público, o recém criado Movimento Cívico Anti-Pirataria na Internet (MAPiNET) nasceu - segundo consta, de forma "espontânea" entre pessoas que dependem economicamente das indústrias culturais afectadas pela pirataria - para apelar à criação de novas medidas para evitar a descarga de ficheiros ilegais. E, que novas medidas propõe a dita MAPiNET? Que se aplique em Portugal uma legislação semelhante à adoptada há cerca de um ano em França - conhecida como "resposta gradual" ou "acordo Denis Olivennes" - que, em traços gerais, consiste em despenalizar criminalmente quem descarrega ficheiros ilegais e obrigar os fornecedores de acesso (ISPs) a vigiar as actividades suspeitas e a suspender a ligação a quem prevaricar. Mas para que o plano do governo de Sakorzy seja colocado em prática é necessário que a União Europeia aprove o projecto de lei referente às Comunicações Electrónicas - conhecido como Pacote TELECOM - sem a emenda 138, a única que salvaguarda a nossa liberdade e direito à privacidade. Com a desculpa de querem combater a pirataria online, aquilo que a MAPINET, Sarkozy e os seus lacaios pretendem, na verdade, é retirar aos cidadãos direitos fundamentais em Democracia. Ao remover a emenda 138 do projecto lei, esta gentalha pretende policiar a internet e assim vigiar todos os nossos passos na rede, como se não passássemos de um bando de reles criminosos. E isso é algo INACEITÁVEL num Estado de direito. Não é limitando os direitos individuais das pessoas que se combate a pirataria. (ou outra treta qualquer). Até porque, sejamos sérios, a pirataria não tem sido tão prejudicial para a indústria do entretenimento como nos têm feito crer. Não há nenhum estudo sério que comprove essa relação. Curiosamente, em muitos casos, a pirataria até tem sido bastante benéfica para alguns artistas. Principalmente, aqueles se movimentam nas margens do "mainstream", que graças aos downloads ilegais vêm o seu trabalho chegar a um público mais vasto que, de outra forma, seria impossível de alcançar. Certo?
Para que não existam equívocos, é bom que fique bem claro o seguinte: DEFENDO QUE O TRABALHO, O TALENTO E A CRIATIVIDADE DEVEM SER PAGOS. Logo, DEFENDO QUE A MÚSICA DEVE SER PAGA. Essa é a razão porque continuo a comprar os discos que gosto. Bem, pelo menos aqueles que gosto muito, pois o dinheiro não estica. A minha colecção de CDs fala por si: sou um amante de música e um comprador de discos. Gosto tanto deles que chego a comprá-los apenas para os ter na prateleira. Quando se têm filhos e um iPod com uma capacidade generosa, os nossos hábitos de ouvir música mudam consideravelmente... Se não compro mais discos é porque não disponho de capacidade financeira para o fazer. Caso contrário, seria como aqueles tipos viciados no jogo...
Compro discos há muitos anos. Trabalho com editoras há mais de uma década. Conheço esta indústria por dentro e por fora. Conheço-a o suficiente para afirmar, sem papas na língua, que trata-se de uma indústria que não tem feito outra coisa senão abusar dos fãs, dos melómanos e dos próprios artistas. Os preços dos CDs continuam exagerados. O dos
MP3 nem se fala (é um ROUBO pedir 99 cêntimos por um ficheiro MP3 que, ainda por cima, não toca em todos os leitores digitais). E é melhor nem falar das edições especiais que chegam às lojas dois meses depois da edição do álbum, dos sistemas anti-cópias abusivos, dos contractos exploratórios a que são sujeitos os artistas e por aí fora...
Dá-me sempre vontade de rir quando ouço os responsáveis das editoras queixarem-se que perderam milhões em vendas devido à pirataria online. E acho "graça" porque os tipos partem do pressuposto (dá-lhes jeito que assim seja...) que, eu, por exemplo, ao fazer o download do álbum dos Vampire Weekend deixo imediatamente de ter interesse em comprar o CD. Não é espantoso? Como se alguma vez estivesse disposto a gastar um cêntimo sequer com o CD dos Vampire Weekend. Como podem eles alegar que perdem dinheiro com algo que eu jamais compraria? Esta é apenas umas das falácias e demagogias que a indústria musical nos tem impingido nos últimos tempos para justificar a sua incompetência e incapacidade para lidar com as (novas) necessidades dos fãs, consumidores e artistas. O Sarkozy, as multinacionais do disco e estes tipos da MAPiNET estão-se a borrifar para os interesses dos artistas, criadores e autores. Eles apenas se preocupam com o seu quinhão. E querem garanti-lo à nossa custa. QUE SE FODAM TODOS!
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12 comentários :

Spark disse...

Concordo plenamente contigo.

Abraço.

Nuno A disse...

A minha colecção de cds tb é enorme, mas deixei de ter problemas de consciência já há algum tempo atrás.
Se há sitios na net onde se encontram mp3s a 1/10 dos preços a que esses senhores vendem (ou mesmo de borla claro), porque não ouvir primeiro e comprar depois o que se quiser?
E, mesmo qd compro cds, o que dizer do facto que me fica bem mais barato comprar na Amazon mesmo contando com as despesas de envio, do que comprar nas lojas em Portugal?
E, mais do isso, o que dizer do facto de as "novidades" só aparecerem cá passados largos meses, com excepção de algumas coisas que ainda vão aparecendo nas Fnacs?
É mais fácil colocar a culpa nos "piratas".
Esses senhores que abram todos falência, passemos a comprar directamente aos musicos, como muitos já vão fazendo, como os Radiohead ou outros.
Que se fodam mesmo!

Abraços

Kraak disse...

De acordo! Apoiado! Compreendo que é preciso haver alguma decência, mas francamente... termos agora a patrulha na web é demais. Se fizessem outro tipo de patrulha, bem mais significativas, como pessoas que se suicidam por cenas estranhas que se passam na net e outros escandalos associados em determinados sites, faziam melhor.

Hugzz!

Strumer disse...

Concordo plenamente! Essa nova medida que visa controlar todos os nossos passos é rídicula e abusiva, extremamente abusiva! E sim, concordo tb que toda esta massificação do mp3 até tem sido bem positiva! quem é que compra muitos albuns ao preço que as editoras teimam em praticar?!ninguém!! só se compra os albuns que realmente gostamos (e muito! pq tal como dizes o dinheiro não estica) mas pelo contrario com toda esta massificação os concertos tornam-se mais concorridos e até o franchising rende mais! enfim, deviam era adoptar outras medidas, mas isso tb já é bater no ceguinho!
Enfim, totalmente de acordo com o post..

paxxxeco disse...

concordo plenamente com o que aqui foi dito...
eu estimo imenso a minha vasta colecção de cds, que teimo em aumentar, e prefiro mil vezes o conteúdo físico ao mp3, mas é vital, pelo menos para mim, ouvir um lp na íntegra, na net, antes de o adquirir, uma vez que a oferta é imensa e tem de haver alguma selecção....para não se comprar gato por lebre! para mim o mp3 é um mecanismo de informação, apenas isso, e accho absurdo e bizarro tal iniciativa de controlo!
o caro Nuno A tem razão quando frisa que a partir do momento em que comprármos directamente dos artistas...adeusinho oh sugadoras multinacionais!
ai ai
Ide Bugiar

h disse...

http://www.demonbaby.com/blog/2007/10/when-pigs-fly-death-of-oink-birth-of.html

um pouco na onda do post...

Ivan Martins disse...

Subscrevo.

Headphone disse...

Só podia concordar! Tambem eu acabo sempre por comprar os cd's que realmente me interessam e os que valem realmente a pena. Se por exemplo o nosso governo baixasse o valor do IVA sobre os cd's as vendas aumentariam consideravelmente. Mas que não conheceria metade das bandas que conheço se nao tivesse acesso aos downloads isso ninguem tenha duvidas.
Abraço!

R2D2 disse...

Caro Astronauta,
Não podia estar mais de acordo com o teu post, como não podia estar mais em desacordo com a medida anti-pirataria de que falas aqui.
Não devemos confundir jamais os criminosos com os cidadãos, e não podemos nunca cair no erro de tratar os cidadãos como criminosos apenas porque não temos a capacidade de combater os segundos pelos meios certos.
Para uma pessoa como eu, que até conhece alguns músicos, espanta-me o discurso de vitimização que as editoras adoptam nesta matéria, tentando fazer crer que são o elo mais fraco da cadeia. Não nos lixem!
Nunca consumí tanta música na net como nos últimos 4 anos e nunca comprei tanta música como nos últimos 4 anos. Mas fazemos parte de uma elite que investe na música e a vive com paixão? Estou certo que sim, que somos. Então aí está a resposta para as editoras: pensem como torná-la uma paixão para um público cada vez mais vasto!
Bem, e isto é só uma pequena parte do que tenho a dizer sobre este assunto.
Um abraço!

Emerson disse...

Acompanho seu blog e sou brasileiro,aqui temos uma proposta semelhante em nosso congresso.Querem que haja uma espécie de cadastro do usuário que registre todas as informações sobre download,sites acessados e etc.,tudo motivado por um congressista ligado a bancos e outras empresas.Não sei ai como são as coisas ai,mas aqui há pouquissima divulgação dessa lei e infelizmente acho até fácil ela ser aprovado sem que o ninguem saiba de nada.

Como meu gosto musical está bem longe do gosto popular,praticamente tudo que tenho no meu computador e no meu mp3 foi baixado pela net,então uma lei dessa me deixaria...hã...isolado da musica.


E se o preço dos cd's é caro ai,imagine aqui, com taxas e mais taxas...isso que praticamente nada do que eu gosto chega aqui.

Resumindo,que se foda esse povo!


Auf-Wiedersehen

Rui Vieira disse...

Já não é a 1ª vez que aqui abordas a gula da industria fonografica. Já dessas vezes concordamos que a industria não é capaz de olhar para dentro e procurar respostas à nova realidade economica-social que a web trouxe.
Claro que este tema só preocupa quem de facto tem a musica como paixão, porque para os outros, aqueles que compram 1 ou 2 cd's por anos, esta problematica passa ao lado.
Mas esquece-se a industria que são os melómanos os principais difusores da musica. São estes que através dos seus blogs (como este excelente Planeta-Pop) ou outros meios dfundem não apenas a musica que as editoras promovem, mas também os autores mais alternativos. No meu caso, assino um progama de radio em que estou limitado à difusão dos hits... e a resposta é simples, é-me financeiramente impossivel adquirir toda a musica que surge no mercado.
Quanto à proposta de lei... estão a brincar connosco?! Se eu num e-mail para a minha esposa indicar um link mp3 estou a permitir que vasculhem a minha vida conjugal?
E que mais vão ter acesso? Porque a ânsia de controlo é insaciavel.

O comentário já vai longo, mas permitam-me deixar um repto. Porque não criarmos um movimento espontâneo de defesa da liberdade individual e do direito à privacidade? Com o poder da blogosfera podemos impedir que a idiotice sugerida passe em branco!

O Astronauta disse...

Obrigado pelos vossos comentários. Fico contente por saber que há mais alguém que se preocupa com estas matérias, que dizem respeito a todos nós.

Cheers

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