-->

PUB

PUB

Publicada por / quarta-feira, 1 de julho de 2009 / 8 Comments / ,

Post-It | U2 DE REGRESSO À ESTRADA


A julgar pelos diversos relatos que fui apanhando por aí, parece que arrancou em grande a "360º Tour", a nova digressão dos U2. A banda apresentou-se ontem à noite, em Barcelona, perante cerca de 90 mil pessoas (porra!!!) em cima de um palco gigantesco, em forma de nave espacial, colocado no meio no estádio, permitindo assim que todos os espectadores tivessem a mesma visibilidade. Um conceito de "concerto de estádio" espectacular e inovador. Dizem... pois eu, infelizmente, não tive o prazer de estar presente no Nou Camp. Mas gostaria. Apesar de detestar concertos de estádio. Se vierem a Portugal - como parece que virão - desta vez tudo farei para os ver de novo ao vivo. Estes gajos são os maiores (estes e os outros... vá lá, vocês sabem a quem me refiro)!
Eu sei que actualmente está na moda e fica bem dizer mal dos U2. Os "pseudo-alternativos" da treta adoram criticar Bono por tudo e por nada, pelo que diz, pelo que não diz, pelo que faz, pelo que não faz, pela roupa que veste, os óculos que usa, a cor das meias que calça...eu sei lá. A verdade é que quando mais os U2 são criticados, mais me apetece gostar deles. E, depois de "No Line on The Horizon", nem preciso esforçar-me assim tanto. Faz-me confusão uma banda ser tão criticada pelas razões erradas. Uma coisa é certa, ao fim de todos estes anos, os U2 ainda por cá andam, a fazer o melhor que sabem: a gravar bons discos e a tocar para estádios lotados. Entretanto, quantos "indie-darlings" ficaram pelo caminho? Quantos mais ficarão? Quem se lembrará de uns Passion Pit daqui a 2 anos? Alguém está interessado em ouvir o novo disco dos Clap Your Hands Say Yeah? Not me...Já os U2, tenho a certeza que daqui a 5 anos ainda continuarão a gravar discos decentes e a lotar estádios. Vai uma aposta?

Ficam algumas imagens da noite de ontem, em Barcelona:

Vídeo | "ANGEL OF HARLEM" - dedicado a Michael Jackson

Vídeo | "NO LINE ON THE HORIZON"

Vídeo | "THE UNFORGETTABLE FIRE" - provavelmente, o meu tema preferido de sempre dos U2. Alegra-me que o tenham recuperado para esta digressão.
Share This Post :
Tags : ,

8 comentários :

Ricardo Rainho disse...

Entretanto, quantos "indie-darlings" ficaram pelo caminho? Quantos mais ficarão? Quem se lembrará de uns Passion Pit daqui a 2 anos?

Eu, que não sou o maior dos fãs dos Passion Pit, digo que isto de fazer "futurologia em directo" vale o que vale. ;)
E sim, o No Line on the Horizon vale zero à esquerda. Hélas.

rui disse...

Caro Paulo,

Talvez não te recordes de mim. Sou o Rui Coutinho, em tempos vocalista de uma banda chamada Zoe.
Estive na terça em Barcelona na premiere da U2360.
Foi um concerto atípico, como são sempre os primeiros de uma qualquer digressão.
Do ponto de vista musical, a banda ainda está à procura das rotinas e da consolidação das novas canções. E, sobretudo, ainda está a habituar-se a esta nova forma de tocar ao vivo, a 360 graus.
Do ponto de vista do espectáculo, foi extraordinário. O palco ao centro e o público em seu redor criam uma sensação de intimidade e proximidade absolutamente invulgares. Sobretudo se pensarmos que estavam 90 mil almas em Camp Nou. Não diria que parecia um concerto no Coliseu do Porto, mas foi bem mais acolhedor que muitos concertos que já vi no Atlântico.
Do ponto de vista musical há a reter a insistência no novo álbum. Breathe é melhor ao vivo do que no disco, mas não seria a minha escolha para a abertura do concerto. No Line... resulta bem, Get On Your Boots é um monstro ao vivo (talvez a abertura ideal). Magnificent foi tocada de forma demasiado lenta. A versão remix bem humorada de I'll go Crazy... provocou um momento de alguma descompressão no alinhamento, mas não disfarça o facto de ser uma canção fraquinha. Moment of Surrender também resulta ainda melhor ao vivo, mas não será a canção certa para encerrar o concerto, sobretudo se Bono abusar dos "la la las" para o público cantar (como fez em Barcelona).
E depois temos Unknown Caller... Posso ser suspeito, porque acho que é a melhor canção de NLOTH. Mas foi, para mim, o melhor momento da noite. Primeiro, pela própria performance da canção e pelo impacto que ela provoca (ainda que Edge não tenha acertado uma nota no seu solo). Depois, porque fez parelha com The Unforgettable Fire, criando o momento mais intimista, mais envolvente e emotivo de todo o concerto. Também do ponto de vista visual, a simplicidade das projecções e da iluminação ajudou a criar a sensação de que estávamos num pequeno auditório. E o facto de este momento duplo ter sido antecedido de um contacto em directo com a Estação Espacial Internacional, na qual se fez a apologia do planeta e do futuro em tempos de incerteza, só contribuiu para a sua beleza singular.
Referências para Vertigo e Beautiful Day, dois monstros ao vivo. Para Streets, que provoca sempre um arrepio na espinha desde o primeiro acorde do teclado até à entrada da voz. Para Walk On, que se arrisca a ser o novo Pride ao vivo (e referência para a Aung San Suu Kyi, perene em toda a projecção video e no desfilar de vários elementos do público pelo palco, usando uma máscara com a face da birmanesa). Referência para Ultra Violet, início do último encore, 16 anos depois da última vez que foi tocada.
Do ponto de vista musical faltou muita coisa. Faltaram Until the End of the World, Bullet the Blue Sky, Bad ou I Will Follow. No seu lugar, tocaram Still Haven't Found (cedo demais no alinhamento), Angel of Harlem ou In a Little While. Sunday Bloody Sunday já não faz muito sentido porque a raiva que lhe está no DNA já não faz parte da atitude dos U2. E isso nota-se na prestação lenta e arrastada da canção. Pride já não trás nada de novo e é mais um momento para o público cantar. One foi muito marcada por problemas técnicos no "in-ear monitor" de Bono, que o obrigou a parar a canção para poder recomeçar correctamente. With or Without You foi truncada por um Bono completamente desconcentrado e foi menos intimista do que deveria.
A ironia da Zoo Tv já não está lá e houve demasiados momentos "sing-along" para o meu gosto.
Mas o espectáculo global é grandioso e inovador. Transformará (mais uma vez) a forma de se assistir a um concerto de estádio.
E as novas canções mostram uma banda com vontade de fazer melhor, de ser mais audaz e mais relevante artisticamente.
Desculpa a extensão do comentário, mas apeteceu-me partilhar contigo esta opinião.
Abraço
Rui

O Astronauta disse...

Olá Ricardo,

referi, como exemplo, os Passion Pit (de quem até acho piada), como podia ter mencionado a maioria das outras bandas novas que por aí andam, inclusivamente aquelas que eu gosto e de que falo aqui diariamente.
Quanto à questão da "futorologia", daqui a 2 anos falamos e depois veremos que será feito dos Passion Pit e de muitos outros. Ok?
Mais, poderemos até avaliar o seu impacto na cultura Pop, a validade artistica da sua obra e depois veremos se, de facto, bandas como os Passion Pit são merecedoras de todo o "hype" de que são alvo. Combinado?

Em contrapartida, gostes ou não dos U2, olhas para a sua obra e percurso e, por muito te custe, tens de chegar à conclusão que foram uma banda que marcou os últimos 30 anos e que teve impacto na cultura popular.

Nós, que gostamos de música, e vivemos isto com alguma militância, somos um pouco obcecados pela novidade, andamos sempre em busca da "next big thing", acabando por valorizar bandas e discos que algum tempo depois já nem conseguimos ouvir. Faz parte. Contra mim falo. Nessa ânsia pelo novo, por vezes acabamos por não prestar atenção e dar o devido valor a bandas mais veteranas que andam por aí a fazer óptimos discos e que acabam ignorados pelos media apenas porque já não são o "flavor of the month". Em suma, é preciso respeitar quem anda nisto há 30 anos. Eu próprio, que não gosto dos AC/DC, respeito-os pelo seu percurso, por ainda mexerem com tanta gente. É esse respeito que eu, por vezes, não vejo em relação aos U2.

"E sim, o No Line on the Horizon vale zero à esquerda. "
Na tua opinião. Que também vale o que vale... ;)

Abraços

O Astronauta disse...

Olá Rui,

claro que me lembro de ti e dos Zoe.

Que inveja! Como gostaria de ter estado em barcelona...

Obrigado pelo teu relato do concerto, que, para mim, valeu mais do que tudo o que até agora tive oportunidade de ler na imprensa especializada.

Como sabes melhor que eu, são naturais todas estas "falhas" no primeiro concerto. Todas as bandas passam pelo mesmo...principalmente as da dimensão dos U2.

Percebo as tuas reservas em relação a algumas escolhas do alinhamento. Cada um de nós tem na cabeça o seu alinhamento ideal para um concerto dos U2. Não é?
Agrada-me que tenham recuperado o "Unforgettable Fire". Dispensava alguns dos hits do grupo, mas é preciso agradar às massas, right?
Nós, os fãs, queremos sempore ouvir coisas mais rebuscadas, temas menos óbvios, mas a "povaça" quer sempre ouvir os hits, aquilo que conhece e quer cantarolar.

Agora, só espero que venham mesmo a Portugal.

Abraços
Volta sempre.

soares disse...

se o "No Line on the Horizon" vale zero à esquerda, então mais de 99,99% do que foi editado nos ultimos, não passaram de lixo musical.
que é por exemplo a que soa hoje o album dos Vampire Weekend, só para dizer um, mas poderia dizer 1000 exemplos de discos que receberam criticas e hypes e que hoje, representam um redondo NADA!
ao menos o NLOTH, é mais um a poder ser analisado, comparado, elogiado e criticado, numa carreira de uma banda, que hoje já não há quem a faça.
tenho ate a ideia que a propria desmaterialização da musica, muito contribui, não se perde nada em "editar" os custos são reduzidos, logo o preço de ela desaparecer das memorias e até da historia, também é custo zero.
já este novo dos U2, pode até valer zero, mas será sempre antes de um algarismo na cada do 6 ou 7, o que já dá nota positiva. :-)))

dj duck disse...

Meu Caro Astronauta,
Em principio irão actuar no próximo ano,só falta decidir se em Lisboa ou no Porto.
Quanto ao alinhamento do concerto,foi excelente abrirem logo com quatro canções do último albúm,que espero ganhe ainda mais destaque ao vivo e o toquem na totalidade,ou quase como fizeram na zoo tv onde só não tocavam uma música do Achtung Baby.
Rui,os Zoe ainda existem?
Abraço
dj duck

Elliot disse...

Bom post Astronauta.
Partilho completamente a tua opinião embora eu, outrora fan devoto dos u2, tenha ficado bem desiludido com os ultimos 3 ou 4 albuns. By the way, o the Unforgettable fire é um dos melhores temas de sempre.
:-)

Rui (dos Zoë) deixa-me dizer-te que comprei o vosso cd por volta de 2002 ou 2003 e rodou bastante no meu leitor.

Abraço a ambos!

rui disse...

Viva.
Infelizmente os Zoe estão numa espécie de coma profundo. Acho que não morreram e um dia acordarão de novo.
Vamos ver...

Mas o Rui Pintado, meu colega de trincheira nos Zoe, tem feito uma bela carreira entretanto. Esteve na origem do sucesso dos Orangotang e agora tem um projecto muito freak chamado bueno.sair.es, que podem conferir em http://bueno.sair.es.

Grande abraço

PLANETA POP | RADAR 97.8

  • SÁBADOS | 23h-01h
  • DOMINGOS (repetição) | 15h-17h
  • SEXTAS-FEIRAS (repetição) | 23h-01h

POSTO-DE-ESCUTA

ARQUIVO:

DIREITOS

Creative Commons 

License