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Publicada por / sexta-feira, 18 de julho de 2014 / 4 Comments / ,

SUPER BOCK SUPER ROCK 2014 | BALANÇO



DIA 1.
O primeiro dia do 20º SUPER BOCK SUPER ROCK prometia bons concertos e não desiludiu.

A tarde, no Meco, arrancou com o "blues rock" de traço clássico dos californianos VINTAGE TROUBLE, banda simpática e bem vestida, que conseguiu conquistar o pouco público que aquela hora se juntava em frente ao palco principal.  

Seguiu-se a primeira grande atracção do dia, os britânicos METRONOMY.
Vestidos a rigor, com fatos brancos, e "envoltos" em nuvens cor-de-rosa (referência óbvia à capa do mais recente "Love Letters"), a banda de Joseph Mount seduziu o Meco com a sua pop estival adornada por sintetizadores vintage e teclados adocicados.
Como se esperava, a actuação do grupo foi focada em "Love Letters", mas não faltaram os êxitos do anterior "The English Riviera", os incontornáveis "The Look" e "The Bay". 
O público gostou. 

As guitarras voltaram a ganhar protagonismo com os australianos TAME IMPALA
O psicadelismo controlado e pouco elástico da banda de Kevin Parker não perde eficácia em palco, embora também não descole muito daquilo que nos oferece em disco. Não que isso seja um defeito, mas também não se pode dizer que seja uma mais valia. 
Vale aos Tame Impala um punhado de boas canções, suportadas por uma banda coesa e empenhada, que consegue transformar qualquer concerto num momento especial e de exaltação.
"Solitude Is Bliss", "Why Won't You Make Up Your Mind?" e "Feels Like We Only Go Backwards" foram os momentos altos de mais uma excelente actuação dos Tame Impala em palcos nacionais.


Embora, em disco, já não sejam tão arrebatadores como noutros tempos, em palco, os MASSIVE ATTACK continuam a ser uma banda que vale sempre a pena ver. Até porque são daquelas bandas que não sabem dar um mau concerto. Em Portugal, já deram mais de uma dezena. Quinze, segundo algumas contas. 
No seu regresso ao Super Bock Super Rock, os Massive Attack voltaram a apostar numa vertente visual portentosa e perturbadora que, não sendo nova, continua a revelar-se bastante eficaz e a encaixar que nem uma luva no trip-hop hipnótico, esquizofrénico e cerebral que há muito se tornou o som de marca do colectivo liderado por Robert Del Naja "3D" e Daddy G. 
Clássicos como "Safe From Harm", "Angel" e "Teardrop" foram interpretados com a intensidade e rigor habituais e servidos por um som pujante e detalhado, o que faz de cada concerto dos Massive Attack uma poderosa experiência emocional e sensorial.
Bom concerto. Mais um. 

O mínimo que se exigia aos DISCLOSURE era que transformassem a Herdade do Cabeço da Flauta numa pista-de-dança gigante. 
Os manos Lawrence souberam estar à altura das expectativas. 
Tendo como base o seu único disco de originais, o aplaudido "Settle", o duo britânico construiu um espectáculo imaculado, assente numa componente visual de grande impacto e eficácia. 
A festa começou com "For For You", passou por "When A Fire Starts to Burn", "Voices", "Help Me Lose My Mind" e terminou em apoteose com o inevitável "Latch". 
Os Disclosure cumpriram e aqueceram uma noite que entretanto tinha arrefecido e que começava a gelar os ossos. Mas, acima de tudo, deixaram bem claro porque são considerados um dos nomes mais relevantes da actual música de dança mundial. 
O futuro pertence-lhes! 


DIA 2.
O segundo dia, no palco principal, começou com os CULTS
Foi um começo discreto. 
O rock "Spectoriano", melodioso e sedutor, da dupla de Nova Iorque nunca chegou a conquistar as atenções dos poucos que, ao final do dia, se concentravam em frente ao palco Super Bock. Foi pena, pois canções como "Always Forever", "You Know What I Mean" ou "Go Outside", mereciam outra atenção. Mas talvez a banda não se tenha esforçado o suficiente para a conseguir. Se o fez, não demos conta. 

Tudo mudaria com a entrada em cena de THE LEGENDARY TIGERMAN.
Paulo Furtado 
tinha preparado um concerto especial para o SBSR, com muitos convidados em palco e uma sonoridade mais adaptada à dimensão do palco e do evento. Uma aposta ganha, pois nem a chuva, que começou miudinha e foi engrossando, afastou o muito público que se deslocou ao palco principal do SBSR para escutar canções como "Love Ride", "Gone", "Naked Blues" ou "Do Come Home". 
Uma nota especial para a participação de Alex D'Alva Teixeira - que concerto após concerto se afirma como um dos mais talentosos performers da sua geração - e Ana Cláudia na versão de "These Boots Were Made For Walking", um original de Lee Hazlewood, popularizado pela voz de Nancy Sinatra. Sem dúvida, um dos momentos altos de um concerto memorável. 

Seguiu-se WOODKID, mas como há muito perdi o interesse na música presunçosa, inócua e calculista deste francês, optei por rumar a outras paragens. Não me arrependo. 


Uma hora depois do previsto (devido aos adiamentos provocados por uma inundação no palco EDP), entrou em palco EDDIE VEDDER
Visivelmente bem disposto e acompanhado apenas por uma guitarra acústica (que viria a alternar com um ukelele), o cantor dos Pearl Jam conquistou o público do Meco assim que soaram os primeiros acordes de "Corduroy". O "namoro" entre ambos prolongou-se por cerca de duas horas e meia, ficando uma vez mais evidente que a relação de Vedder com o público português é, de facto, especial. E recíproca. 
Num alinhamento composto por versões acústicas e descarnadas de temas escritos para os Pearl Jam, gravações a solo e algumas "covers", dois momentos a reter: a "cover" de "Masters of War", de Dylan, com Paulo Furtado na guitarra, e a "cover" de "Imagine", de John Lennon, que Vedder tocou pela primeira vez ao vivo. Uma versão que ganhou todo um novo significado depois das declarações anti-guerra do cantor a propósito do conflito entre Israel e a Palestina. 



DIA 3.
O último dia de Super Bock Super Rock, para mim, começou com os THE KILLS.
Por motivos pessoais, não consegui chegar a tempo de assistir ao 
tributo a LOU REED, organizado pelos LADRÕES DO TEMPO, de ZÉ PEDRO. Já o concerto de ALBERT HAMMOND JR, dos The Strokes, nem sequer tive curiosidade em espreitar. 
Mas assim que Alison "VV" Mosshart e Jamie "Hotel" Hince subiram ao palco principal do Super Bock Super Rock e atacaram os primeiros acordes de "U.R.A. Fever", todos os meus sentidos se entregaram a este "garage rock" carnal e visceral que se entranha na pele e nos faz sentir vivos. Mérito das canções, claro, mas também da presença felina da menina Mosshart, que é um espectáculo à parte. 
"Future Starts Slow", "Satellite", "DNA", "Baby Says", "No Wow" e "Pots And Pans" foram os outros pontos altos de um alinhamento quase perfeito, que só pecou por deixar de fora o incontornável "Fuck The People". 
Os The Kills são a prova de que, em 2014, o rock pode ser feroz e excitante e, ao mesmo, tempo ágil e inventivo. 
Regressem depressa, de preferência com um novo disco na bagagem. 


Com o seu indie-rock melódico, solto e dançável, os britânicos FOALS rapidamente conquistaram o público do Meco. 
A banda do "peludo" Yannis Philippakis cresceu imenso ao vivo e são hoje uma máquina muito bem oleada, que sabe o que fazer em palco e como potenciar as canções dos seus três discos de originais. Todos os temas são acompanhados por um elaborado jogo de luzes e uma cenografia pensada ao pormenor. O que faz dos Foals o tipo de banda talhada para actuar em festivais e perante grandes plateias. Uma tarefa que o grupo executa com grande empenho e rigor. Não foi, por isso, de estranhar que tenham recebido uma das maiores ovações deste Super Bock Super Rock. 

Os Foals deixaram o Meco em ponto-de-rebuçado, pelo que bastava aos KASABIAN repetir a mesma receita aplicada semanas antes em Glastonbury para que tudo lhes corresse na perfeição. E assim foi. A banda de Sergio Pizzorno e Tom Meighan incendiou o Meco com o seu rock de estádio salpicado de electrónicas e ritmos gordos. Foi uma actuação enérgica, segura e sem pontos mortos, suportada por uma série de singles poderosos e refrões de encher o ouvido. A multidão rendeu-se aos Kasabian. Para meu próprio espanto, pois não fazia ideia que tinham tantos fãs em Portugal. 
"Fire", o hino da Premier League, fechou em euforia e em clima de festa o 20º Super Bock Super Rock.
Para o ano há mais.  



P.S.: Não estranhem o facto deste texto estar em constante mutação. Sou um tipo picuinhas, que tem por hábito alterar tudo o que não gosto de ler.  Principalmente textos como estes, escritos em "cima do joelho" :)
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4 comentários :

DZP disse...

Os sleigh bells tb teriam sido muitos bons se não tocam apenas 5 musicas quase às 4 da manhã.

Susana Vasconcelos disse...

"música presunçosa, inócua e calculista deste francês"... what?!! agora fiquei incrivelmente desiludida com este blog que tanto admirava e cujo autor achava ter bom gosto. enfim...
Sim, sem dúvida que é muito melhor ouvir Kasabian, Eddie Vedder ou Foals... Jasus!

Paulo Garcia disse...

Olá Susana,

já pensou como o mundo seria aborrecido se tivéssemos todos os mesmos gostos e opiniões? .

A Susana gosta do Woodkid, eu não. É verdade, prefiro de longe os Kasabian ou os Foals. Mas não fiquei ofendido por a Susana se referir a eles com desdém, afinal, está no seu direito :)

Assim como eu também estou no meu direito de detestar a música do Woodkid. Isso faz de mim uma pessoa com mau gosto? Que assim seja. :)
Pois eu não acho que a Susana seja uma pessoa de mau gosto só porque não aprecia os Foals e os Kasabian :)
Não leve as coisas tão a peito! Não vale a pena!

Espero que volte sempre.
Cumprimentos.

Susana Vasconcelos disse...

Tem toda a razão Paulo Garcia. Mas, tendo em conta, que foi neste mesmo blog que vi pela primeira vez o vídeo do Iron (do Woodkid, que detesta!), fiquei ainda mais surpreendida. Não por não gostar de Woodkid, longe de mim, mas da maneira como se refere à música de Yoann Lemoine, que não só é um excelente músico e compositor, como um excelente realizador, um excelente designer e uma excelente pessoa. Que trouxe uma música completamente diferente de tudo o resto que aí anda. Eu não me referi a nenhuma das bandas que gosta com o mesmo desdém que fala de Woodkid. Simplesmente não gosto, mas não digo mal. É a diferença...
Obrigada pela resposta e concerteza voltarei, quanto mais não seja para discordar de si. :)

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