-->

PUB

PUB

Publicada por / terça-feira, 21 de julho de 2015 / No comments / ,

SUPER BOCK SUPER ROCK 2015 | BALANÇO


"O rock voltou à cidade”

Esta foi a frase de ordem da 21ª edição do SUPER BOCK SUPER ROCK, um festival mutante, que já teve diversos formatos ao longo da sua história, e que depois de uma passagem polémica pelo Meco, instalou-se este ano no Parque das Nações, em Lisboa. 

A nova "casa" surpreendeu pela positiva. Recinto bem organizado, palcos bem distribuídos, muito espaço para circular e conviver, poucas filas para comer e para as casas de banho...enfim, tudo pensado para proporcionar uma experiência agradável e confortável ao festivaleiro.
Gostei. 
Aplausos para a organização, que tantas vezes foi criticada em edições anteriores.

Houve apenas um "pequeno detalhe", um "problemazinho" difícil de ultrapassar nesta nova versão urbana do SBSR: o raio do palco Super Bock enfiado no interior da Meo Arena!!!
Serei o único "lunático" a achar que um festival que se diz "de Verão" só faz sentido realizar-se ao ar livre?
Que diabo, quem é que, no seu perfeito juízo, numa noite de Verão, vai querer meter-se dentro de um pavilhão quente e suado para assistir a um concerto?
A resposta é óbvia: quem não tem alternativa.
E, neste caso, não há mesmo alternativa.
Passar da bonita paisagem rural do Meco para o betão escuro da Meo Arena, é algo que vai custar a habituar-me (e é melhor nem falar da acústica do antigo Pavilhão Atlântico....). Afinal, concertos em espaços fechados já nós temos o resto do ano. 
Tirado este grande "senão" (impossível de contornar neste formato, eu sei), há pouco de negativo a apontar à edição de 2015 do SBSR.
Claro que o cartaz pode sempre melhorar, o som dos palcos (em especial o EDP) precisa ser revisto urgentemente, as enormes filas para trocar pulseiras têm de ser evitadas a todo o custo, mas para uma primeira edição numa casa nova, fico com a ideia que tudo correu melhor do que o esperado.


DIA 1 

Devido a questões de “logística familiar", este ano nunca consegui chegar ao festival antes das 20/20:30h, o que fez com que acabasse por perder a maioria dos concertos realizados antes dessa hora nos palcos EDP e Antena 3. 
Optei então por centrar-me apenas nos concertos que queria muito ver, em vez de andar a saltar de palco em palco, como é hábito e como gosto de fazer. 

Como estava uma noite quente, quando arrisquei entrar na Meo Arena já o concerto dos NOEL GALLAGHER’S HIGH FLYING BIRDS ia quase a meio. 
Entrei no preciso momento em que a banda interpretava “Whatever", uma das cinco versões de temas dos Oasis que o grupo tocou no palco principal do SBSR. Um pouco antes e tinha apanhado o “Champagne Supernova”. Raios! 
Naquela altura, a sala estava muito longe de estar cheia, o que não surpreende, uma vez que a nova banda do ex-guitarrista dos Oasis é ainda uma incógnita para a maioria do público nacional. 
Pelo que ninguém estranhou que os temas mais aplaudidos do concerto tenham sido precisamente aqueles que Noel Gallagher escreveu para os Oasis, na década de 90. 

Como se previa, STING foi quem mais brilhou no primeiro dia do regresso do SBSR à cidade. 
A Meo Arena quase que esgotou para receber o veterano vocalista e baixista dos The Police que, apesar dos 63 anos, continua a exibir uma voz imaculada e uma frescura física invejável. 
Sting prometeu um concerto antológico e cumpriu, oferecendo uma actuação repartida entre os velhos êxitos dos The Police e alguns dos temas mais marcantes da sua discografia a solo. 
Arrancou com “If I Ever Lose My Faith In You", passeou por clássicos como “Every Little Thing She Does Is Magic”, “Englishman In New York”, “So Lonely”, “Message On The Moon” ou “Roxanne”, e terminou em apoteose com “Desert Rose”, “Every Breath You Take” e “Fragile”.
Sem dúvida, um regresso triunfante a palcos nacionais. 

Um único reparo: faltou algum do nervo new-wave às versões dos temas dos The Police. Mas isso, às tantas, já seria pedir demais… 


Na primeira noite do SBSR, houve ainda tempo para espreitar a actuação pouco inspirada dos TORO Y MOI no palco Carlsberg, na sala Tejo. 


DIA 2 

Apesar de ser fã da banda de Damon Albarn desde que ouvi pela primeira vez “There’s No Other Way", nunca tive a felicidade de ver os BLUR ao vivo. Andámos sempre desencontrados. Foi desta.
Não houve concerto que aguardasse com tanta expectativa nesta edição do SBSR. 
Pois os londrinos não só estiveram à altura das minhas expectativas, como as superaram.
Com um alinhamento equilibrado, dividido entre os eternos clássicos e as canções do novo “The Magic Whip", os Blur não tiveram dificuldades em conquistar um público que queria ser conquistado. Era para isso que ali estava. 
Os momentos de maior euforia, como se esperava, viveram-se assim que soaram os primeiros acordes de “Song 2”, "Parklife" (interpretado a meias com o João, um fã português que Albarn chamou para o palco) e “Boys & Girls”. 
Estes foram os pontos altos de uma actuação perfeita que fechou ao som “The Universal”, uma das poucas maravilhas do álbum “The Great Escape", que foi cantado em uníssono por uma Meo Arena rendida ao talento e às canções de uma das melhores bandas inglesas da última duas décadas. 
Apesar de já não ser um adolescente, Damon Albarn continua a exibir a mesma energia que sempre caracterizou a sua forma de estar em palco. Ele corre, pula, salta para o meio dos fãs...e fá-lo sempre com aquele ar de quem está a divertir-se tanto como nós. Espero mesmo que se tenha divertido tanto como eu. 

Antes dos Blur, passaram pelo Palco Super Bock os dEUS, que mostraram, uma vez mais, que não sabem dar um mau concerto, mesmo quando actuam perante um público que não é o seu. 
Como fazem sempre, o colectivo liderado por Tom Barman entregou-se de corpo e alma às canções que fizeram destes belgas uma das bandas rock mais acarinhadas pelo público nacional. 
O esforço compensou. O grupo saiu com muitos aplausos do palco da Meo Arena. 

Uma nota de destaque para actuação das SAVAGES no palco EDP. 
Com mais uma actuação intensa e electrizante, a banda de Jehnny Beth voltou a mostrar porque continua a ser uma das mais interessantes herdeiras da estética pós-punk - facção Siouxsie And The Banshees - no activo. 
Agora, venha de lá esse segundo álbum. 


DIA 3 

O disco já me tinha convencido, faltava comprovar em palco a química e a eficácia da "joint-venture” FRANZ FERDINAND/SPARKS
E que belíssimo concerto nos ofereceram os FFS, a mostrar que sim, que há colaborações que funcionam na perfeição. Em disco e ao vivo. 
O público respondeu com entusiasmo às canções do homónimo álbum de estreia do colectivo, mas foi com os êxitos dos Franz Ferdinand - “Take Me Out”, “Do You Want To” ou “Michael” - que a Meo Arena explodiu em delírio. Compreensível. 
Pelo meio, houve ainda tempo para saborear alguns clássicos dos Sparks - como “This Town Ain’t Big Enough For The Both Of Us” e “When Do I get To Sing My Way?” - que o público mostrou não conhecer tão bem, mas nem por isso deixou de receber de braços abertos. 
Foi uma festa bonita, regada com boas canções, inteligência e o humor e ironia que sempre foram imagem de marca do duo norte-americano. 
Seria interessante que esta reunião tivesse próximos capítulos. 

"Então e a FLORENCE, pá?", parece que já vos ouço perguntar. 
Não sei. Não vi. Não sou grande fã. 


Até para o ano.
Share This Post :
Tags : ,

Sem comentários :

PLANETA POP | RADAR 97.8

  • SÁBADOS | 23h-01h
  • DOMINGOS (repetição) | 15h-17h
  • SEXTAS-FEIRAS (repetição) | 23h-01h

POSTO-DE-ESCUTA

ARQUIVO:

DIREITOS

Creative Commons 

License