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Publicada por / terça-feira, 13 de outubro de 2009 / 27 Comments /

Replay | TIGA & ZYNTHERIUS "SUNGLASSES AT NIGHT" / 2001

A menos de 3 meses do final da primeira década do Séc. XXI, o PLANETA POP começa hoje a fazer o balanço dos últimos 10 anos da história da música popular. Durante as próximas semanas, vamos recuperar por aqui algumas das canções que marcaram o novo milénio. Para o final do ano, está prometido um balanço mais completo e exaustivo dos 00s, que anda a ser preparado há alguns meses. Segue o primeiro "recuerdo":
Data Edição | 2001
Formato ! Single
Género | Electro, Electroclash, Synth-Pop
Facto | A versão original deste tema foi editada em 1983 e pertence ao músico canadiano Corey Hart. "Sunglasses At Night" foi o seu maior sucesso internacional.
Info | Zyntherius é o alter-ego do DJ e produtor finlandês Jori Hullkonen.

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27 comentários :

soares disse...

Esta escolha acho que ilustra bem, o que foi esta primeira década do novo milénio.
Muita recriação, muito pilhanço, muito copy/paste e pouca ou nenhuma originalidade.

O Astronauta disse...

Concordo em parte, Soares.
Por exemplo, neste caso, esta nova versão acabou mesmo por dar alguma "dignidade" à canção original, que era fracote.

Em todas as décadas se copiou o que ficou para trás. Os Stones "pilharam" o "blues". Os Depeche Mode quiseram imitar os Kraftwerk. Os Oasis copiaram os Beatles...
Como quase sempre acontece, felizmente, a recriação acaba sempre por geral algo novo e original. Veja-se o caso dos LCD Soundsytem, que pegaram numa imensidão de referências do passado e souberam construir uma sonoridade própria e única. Há outros exemplos.

A música Pop é feita de ciclos. Os 00s foram beber grande parte da sua inspiração aos 80s. Nada contra. Antes copiar o bom que o mau, certo?

Abraços

My_Little_Bedroom disse...

Acho esta uma grande grande ideia, tal como a votação dos discos portugueses dos últimos 50 anos. Curiosamente também ando ultimamente a recuperar algumas canções perdidas ali entre alguns anos muitos profícuos (2003-2006) e a descobrir muitos grupos que acabaram, outros que ganharam outra vida...

Vou seguir com toda a atenção.

Abraço

soares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
soares disse...

mas quando eu digo "pilhar", significa mesmo "roubar".
por exemplo, quando tu dizes que nos 70's, 80's, 90's, se foi buscar algo atrás, foi buscar-se influências.
Nestes 00 o que nós assistimos é o "samplar" e reutilizar. Foi-se mais longe nisso.
Não só se copiou o som e a estética, muitas vezes, demasiadas diria, tudo foi baseado em algo "samplado" que veio detrás.
Para a frente, qual o legado que esta década deixa?
Eu acho sinceramente, que muito pouco, para não dizer nenhum.

O Astronauta disse...

Ó Soares, esta década não deixa legado? Como não? Por amor de deus...Olho para a estante cá de casa, para os discos que comprei nos últimos 10 anos e legado não falta. E já nem conto com os discos que descarreguei da net...Se não te conhecesse de outras conversas, diria que pareces um velho a falar, my friend. Caraças, houve tanta música boa na última década, tantos discos fantásticos e tu dizes que os anos 00s não deixaram um legado?! Esta década deu 10-0 aos anos 90, que foram uma seca e que ninguém parece querer voltar a pegar. Desde os 80s que não comprava tantos discos e que tantas bandas novas me entusiasmavam. Há opiniões que nem consigo discutir. Esta é uma delas. Agora pareces um daqueles meus amigos de 40 anos a falar, que se queixam de que a música actual não presta, mas depois vão para casa ouvir Rui Veloso e a Mafalda Veiga...eh eh Medo!

My_Little_Bedroom disse...

Entendo um pouco o Soares, mas também os anos 90 não foram um total marasmo, com o grunge e o shoegaze. Agora acho que já entendemos que pouco mais há a fazer que tentar encontrar outro tipo de inovação, que consiste na inovação de certas bandas como os LCD Soundsystem, Animal Collective ou Bloc Party: ter a consciência que se pode inovar tentando conjugar diferentes linguagens musicais numa só que consiga ao máximo tentar traduzir ou baralhar ainda mais o que uma banda é/foi/será.
Apesar de não ser um perito em passado musical e de conhecer cmo conheço os anos 00 ou os 90, prefiro limitar-me a ouvir quem ainda consegue tentar mudar o Mundo e trazer música "nova" do que ir ouvir outra vez os Ride ou os Pearl Jam.

Cheers...

My_Little_Bedroom disse...

Certamente o que me fica desta década é uma nova maneira de ver a pop, cada vez mais bipolarizada nos que a querem fazer e nos que a querem fazer querer, quase que a impingindo, tal como uma decadência do rock puro e simultaneamente um estreitamento de quem sabe fazer música mais dentro do espectro.

soares disse...

Paulo, sabes bem a que me refiro.
Não é há quantidade discos. Isso não diz muito. Sempre comprei muitos discos, particularmente nos 90, que já tinha outro poder de compra, que não tinha nos 80s, mas isso não quer dizer que prefira o que se fez nos 90 em relação ao que fez nos 80.
Agora quando falo de legado, falo mesmo de legado. O que se deixa para gerações futuras. Criações onde os futuros possam ir buscar, como estes foram no passado e isso... desculpa mas fica muito pouco.
Pois de esta 1ª década de 2000, foi passada a repescar aqui e ali, com samples deste e daquele, foi assim a maioria da musica editada nesta década.
Será que alguem em 2020 quererá samplar as Sugababes, ou vão mas é samplar o Gary Numan?
Sobre o restante, não digo que não se fez boa musica, fez-se sempre boa e má em todas as épocas, mas eu acho que se fez-se musica demais. E isso também banalidade e cria um efeito pior que o dos 90s. Tudo agora é tipo "bubblegum".
Antes, saia menos musica, porque de alguma forma a edição também filtrava muita coisa e como tal em 100 discos poderíamos escolher 20 bons, hoje temos 1000 discos (???) e ainda assim, tirar de lá 20 é mais complicado.
Continuo a achar que "desmaterialização da musica" tem um segundo efeito e é esse que começa a ficar patente. A década de 00 é a primeira a viver neste novo tempo e acho que teve muita parra e pouca uva ou pelo menos, por essa "desmaterialização" e "facilidade/banalidade", muito do saiu é mau e mesmo o que é bom, tem esse efeito antes de sair e poucas semanas depois já nem sequer nos lembramos que existiu.
No geral não guardo grandes coisas, do que se produziu nesta primeira década, "too much déjà vu", demasiada samplagem, demasiado hip hop ranhoso que preencheu metade da década, r'n'b que de R'NB (rhythm'n'blues) não tem nada, pop por vezes interessante mais muito baseada em estética repetida e repetida vezes sem conta. não se safa muita coisa.
Não querendo com isto não quer dizer que não prefira LA ROUX, que vão aos meus preferidos buscar alguma da sua gasolina para dar marcha à maquina, do que preferia coisas como os CREED ou outras bandas que cantavam de batata na boca, não me deixaram nenhuma saudade terem ido pregar esse estilo para os states profundos.
Mas ainda assim, tenho este feeling sobre os 2000. Muito botão no sample e pouco cerebro!

O Astronauta disse...

Soares, compreendo a tua perspectiva e até partilho parte dela. Penso, no entanto, que é cedo para perceber qual será o legado desta década no futuro. Há 30 anos atrás também ninguém dizia que iam haver banda a fazer música inspirados pelos Duran Duran ou Depeche Mode. Lembro-me muito bem das criticas que os irmãos mais velhos dos meus amigos faziam à música que eu ouvia na altura: chamavam-lhe Pop plástica, descartável, frívola, fria, pirosa e sem alma. Diziam que morreria assim que passasse de moda, que não deixaria rasto. Enganaram-se. Curiosamente, é o mesmo tipo de criticas que ouço a malta da minha idade fazer ao hip-hop e ao "novo" r'n'b que dominou o mainstream nos últimos 10 anos. Exactamente as mesmas. Não é irónico? Repete-se a história: os "velhos" não compreendem a música dos novos. Contra mim próprio falo...

O Astronauta disse...

...esta década, como qualquer outra, trouxe-nos imensa boa música. Na minha opinião, muito mais e melhor música do que nos deu os 90. Talvez esta tenha sido uma década mais marcada por singles/temas do que por álbuns, é verdade. Os tempos mudaram. O formato álbum está morto e deixou de fazer sentido.
Agora, é claro que não posso comparar esta década com os 80s. A música que ouvimos na adolescência é sempre especial, toca-nos como nenhuma outra, faz parte das nossas vidas quase 24 horas por dia. O tempo passa e tornamo-mos mais exigentes, mais selectos. Pelo que é natural que, com o tempo, haja menos discos que nos surpreendam e apaixonem. Fica sempre a ideia de que já ouvimos melhor. E, na verdade, já ouvimos. Isso não significa que não haja sempre música nova que merece ser escutada. Não interessa se é pouco ou muito inovadora. Interessa-me apenas boas canções. E isso foi algo que não faltou esta década. Abraços.

soares disse...

mas quando falamos de Duran Duran, Depeche Mode, Yazoo, havia e há algo de novo, que antes não se fazia e até nem se podia fazer. era a nova maquinaria. Por isso acho que foram tempos únicos, especialmente para quem estava a criar algo.
podem ter e tem influencias vindas de trás, mas tinham algo novo e foi esse algo novo que contagiou e que tem vindo a ser razão para este repescar.
já sobre o que agora se faz, bem o software tem evoluido, mas temos a sensação de que é sempre parecido com qualquer coisa, que há ali uns segundítos sacados daqui e dali.
isso não se pode dizer do som que brotava de temas como "Don't Go" dos Yazoo, por exemplo. Nunca se tinha ouvido nada assim. Percebes onde quero chegar.
Os mais velhos não a entendiam, mais hoje, não que não saiba que estou velho, nós entendemos melhor o que se faz hoje. Temos mais bases do que tinham os que saíram dos 70s e que não lhes agradava o que se fácil no inicio dos 80's.
hoje há muita gente a fazer musica, é verdade, mas porque passou a ser fácil fazê-la, o computador é um tipo de "código postal", mas falta-lhe génio!
mas quando me refiro, refiro-me ao que foi a globalidade da década, na sua globalidade.

Carlos disse...

Bom da minha parte já vou a caminho dos 40. Aos 9 ouvia Pink Floyd. Na década de 80 fui um Curista convicto. Na década de 90, tb fui adepto do Grunge, mas penso que os Radiohead consiguiram na minha opinião, destacarem-se das outras.

"Covers" houve em todas as décadas e algumas com intervalo de poucos anos. Lembro-me por exemplo do tema "Head On" dos Jesus and Mary Chain tocado pelos Pixies. "Enjoy de Silence" deve ser o tema mais tocado/editado do mundo"!

Sobre este tema e esta década...
Não concordo com a escolha do tema. Alias por mim está fora de questão escolher covers para ilustrar uma década! Também não percebo o porquê de começar em 2001.

Como estamos no Planeta Pop, a minha sugestão sería começar em 2000 com o tema "Foreigner" dos De/Vision. É pena que um banda destas tenha sido completamente ignorada cá no burgo.
Link: http://www.youtube.com/watch?v=r40y_lnjDGk

Mensão honrosa nesse ano para os (ignorados) Zeromancer:
http://www.youtube.com/watch?v=M6ft0j0Ok2E

Mas, muito sinceramente e como eu gosto um pouco de tudo, (com excepção de hip-pop, buracadas e afins) no início da década apreciava bem mais os Evanescence, A Perfect Circle; The Tea Party, entre outros.
Sobre a década no geral, a primeira parte foi algo fraquinha. Contudo, desde 2005 que não pára de me supreender. Subretudo a música vinda da Suécia, Dinamarca e Austrália!
Para terminar, gostos são gostos. Cada um tem o seu. Venha lá esse balanço!
Um abraço e parabêns pela inciativa.

O Astronauta disse...

Concordo. É impossível desassociar a criação musical da evolução tecnológica, seja ao nível de hardware ou de software. Passou-se o mesmo com o R'n'B/hip-hop produzido na última década. Gostes ou não (como sabes, eu próprio também não sou o maior fã do género), é inegável que tipos como o Timbaland, o Pharrel e outros criaram um novo som, uma nova estética, que muitos dos nossos contemporâneos não compreendem e criticam, da mesma forma que as gerações mais velhas criticavam o synth-pop e a new-wave dos inícios de 80. Não interessa se uns utilizavam novas máquinas e outros utilizam novo software, o que interessa é o resultado final, aquilo que salta das colunas quando colocas o disco a tocar. E deixa-me que te diga que nunca no passado tinha ouvido nada como o "Get Ur Freak On", da Missy Elliot, por exemplo. E só estou a dar um exemplo quando podia dar muitos mais.

"...hoje há muita gente a fazer musica, é verdade, mas porque passou a ser fácil fazê-la, o computador é um tipo de "código postal", mas falta-lhe génio!! - não podia estar mais de acordo. Quantidade não é, nem nunca foi, sinónimo de qualidade. No entanto, se houver mais gente a fazer música, é mais provável que surjam mais ideias inovadores e interessantes.
O "problema" é que já está quase tudo inventado. Não é fácil inovar. Em todo o caso, penso que houve quem o fizesse esta década. Os LCD Soundsystem fizeram-no. Os Arcade Fire também. Os Sigur Ros, os Radiohead, o Burial, o Timbaland, os Junior Boys, a Ellen Allien,...etc, etc, etc...(agora nunca mais saia daqui).

Para rematar a conversa, que já vai longa, só há uma coisa que não compreendo lá muito bem: sendo tu (tal como eu) um "80s boy", porque razão criticas tanto a música de hoje, que é tão influenciada pela música dos 80s, a mesma música e as mesmas bandas que veneravas há 30 anos atrás? Caraças, esta década foi um festim para os ouvidos de qualquer "80s boy". As tais bandas novas que andam por aí a "pilhar" os 80s foram quem validaram muitas das bandas que nós gostavamos há 30 anos atrás. São elas que estão a dizer às novas gerações "ouçam os Yazoo, os Ultravox e os Soft Cell, pois eram grandes bandas e faziam excelentes canções". A cópia é sempre elogio, certo? Eu recebi de braços abertos essas novas bandas que olharam para os 80s e neles encontraram a fonte da sua inspiração. Até que enfim! Alguém percebeu a riqueza e diversidade da música produzida naquela década. Não é preferível termos uma La Roux do que uns novos Oasis? Ou uns novos Pearl Jam? Ou uns novos Massive Attack (grande banda, atenção!)? Eu penso que sim. E essse será o grande legado desta década. Daqui a 10 ou 15 anos, os miúdos poderão lembrar-se da La Roux e não dos Eurythmics, mas pelo menos irão lembrar-se deste som que nasceu nos 80s e continua vivo.
Abraços

O Astronauta disse...

Olá Carlos, sê bem-vindo à "discussão".

Deixa-me começar por esclarecer o seguinte: a ideia deste espaço "retro 00s" é ir recuperando temas que marcaram os MEUS anos 00s sem obedecer a qualquer ordem cronológica. Hoje escolhi um tema doe 2001 como amanhã posso lembrar-me de aqui trazer um tema de 2009. Nesse sentido, as escolhas são um pouco aleatórias. O balanço final, mais a sério, será feito no final do ano.

Esta "cover" do "Sunglasses At Night" marcou (e marcou-me) por ter sido um dos primeiros êxitos mainstream gerados pela "cena" Electroclash, um dos "fenómenos" musicais da década. Daí a sua relevância. Pouco me importa se é um "cover" ou não. Nada tenho contra as "covers", desde que sejam bem feitas e/ou acrescentem algo de novo ao original. O que eu penso que foi o caso.
O "Sunglasses At Night" é tão representativo desta década como podem ser outras 1000 canções. Depende do que cada um ouviu nos últimos 10 anos.
Como não ouvi os Evanescence (excepto obrigado e com uma pistola apontada à cabeça...), nunca poderia escolher um tema deles para representar os anos 00s. Como sempre ouvi muita pop electrónica, o "Sunglasses at Night" parece-me uma escolha óbvia.

Quanto aos De/Vision, eu até lhe acho piada - em particular a esse tema, o "Foreigner" - mas sempre me pareceu que lhes faltava qualquer coisa para lhes achar mais que piada. Sempre achei que tinha melhor música para ouvir. E como o tempo é escasso...foram-me passando ao lado.

Mas, é tudo uma questão de gostos. E estas escolhas que vou publicando por aqui, apenas pretendem reflectir os meus gostos e os de mais ninguém. Também não pretendem ditar verdades absolutas. Para isso já temos os Pitchfork desta vida.

Abraços
Volta sempre.

cj disse...

Eu prefiro o original do Corey Hart e nem era dos meus cantores preferidos. Não muito dentro do que se faz mas prefiro, por exemplo, a versão do Tiga para o "Madame Hollywood". Eu sempre gostei de "samples" ou não tivesse sido contemporâneo do Acid House mas também concordo que por vezes essas novas canções não trazem nada de novo pois vivem apenas do revisitar de velhas canções. Um caso é os Scooter que são idolotrados em alguns circuitos. Eu até gosto alguma coisa do recente "Ti Sento" mas comparando com a versão original dos Matia Bazar não tem qualquer hipótese. Mesmo assim ainda posso aceitar a revisitação de temas esquecidos porque pode ser a maneira de dar importância a muitos temas esquecidos. Às vezes oiço temas no programa "Bons Rapazes" que devem quase tudo aos anos 80 e que são elogiados quando os temas a que buscaram inspiração nunca tiveram qualquer reconhecimento. Lembro-me também de um tema da Miss Kitten que samplava o "I Want You" do Gary Low. Eu gosto dos dois temas mas há muita gente que fala mal dos anos 80 e adora os "revivalismos".

soares disse...

Sobre a tua questão do “80s boy”:
- eu quando disse o que disse, estou a fazer uma analise à década em geral, não aos últimos 3 anos!
É uma análise da década, não de uma parte ou de um determinado movimento da década.
Tudo o que disse tem a ver com a generalidade e não com casos particulares.
Não posso esquecer que esta década, não foi feita só de La Roux, XX, Killers, Bravery, etc… também houve Kanye West, Enimen, 50 Cent, Datsuns, meninas pop com recursos a “samplagens” etc… etc…
E no todo, a ideia que tenho é essa. Muito uso do anterior, pouca matéria para o futuro.

Se há este ou aquele tema, claro que há! Há em todas as décadas. Mas no geral, foi para mim uma década demasiado “déjà vu”. Nem todos os “rapinanços” são homenagem, metade ou mais, dos que se ouve por ai, são uma forma clara de entrar no ouvido das pessoas e um diploma de incapacidade para criar algo. Quem não é um Mozart, pode ser um Tony Carreira(LOL)!!!!
Que me interessa a mim se o KanYe West sampla os Daft Punk ou os Tears For Fears. Tem alguma mestria nisso? Tenho de lhe agradecer? Faz dele alguém que eu tenho de admitir, só porque samplou duas das minhas bandas favoritas?! Que um tal Flo-Rida saque a malha dos Dead or Alive, achas que estão a prestar homenagem aos Dead or Alive, ou a sacar os 15 segundos de glória? Ou a Riahnna quando usa Soft Cell, ou mesmo Michael Jackson, está a fazer o que?
Poderia ficar aqui eternamente, a dar exemplos do que foi feito nesta época e me saturou.
Eu não falo de “covers” ou de influências, falo da falta de criação, falta de criatividade mesmo. Passou a ser tão fácil pegar em algo “samplar” e fazer algo por cima. Mas é nisso que eu digo:
- Mas isso deixa legado? Os meus netos vão samplar o KanYe feito a partir do sample que ele usou dos Daft Punk!

Compreendo-te, até porque sigo o teu blog, mas há muito deixei de viver atrás da “next big thing”. Há demasiado “bluff” nisso. Demasiada espuma. Limito-me ao que realmente acaba por me agradar e ficar. Não vivo na loucura de saber o que sai para a semana.

Olha até te digo mais, um “80s boy” como eu, que gosta de La Rouxx, Killers, Ladyhawke, Ladytron, Bat for Lashes, etc…
gastou muitos dos últimos tempos e dinheiro, a olhar para trás e ir descobrir os 70’s. Década, que por teimosia minha, por estupidez, não sei, mas que realmente eu deixei sempre de parte, salvo excepções!
Mas esta década de 2000/2009, não se fez só destes nomes que te disse, fez-se de muitos outros, que na maioria deles, nem me recordo, não me disseram absolutamente nada.
Mas também não estamos aqui a discutir a salvação do planeta, estamos apenas a expor o que cada um de nós sentiu, o que foi esta primeira década do sec.21, em termos de música.
GRANDE ABRAÇO!!!

O Astronauta disse...

Olá cj,

por acaso prefiro mesmo a versão do Tiga & Zyntherius, mas isso é uma questão de gostos que não interessa trazer para esta conversa.

E recuso-me a comparar a versão dos Scooter com a dos Matia Bazar, uma vez que Scooter para mim é laxante em forma de música...

Curioso teres mencionado o "Bons Rapazes", pois tenho exactamente a mesma sensação que tu quando ouço esse programa. Nele glorifica-se o novo, o "moderno" e a novidade, como se a música que está na génese de toda aquela "treta" (atenção às aspas) não fosse bem mais interessante. Fica a sensação de que o que interessa é mostrar que se está na crista da onda, que se está a par do novo, que ouve a música "certa". Não existe uma preocupação em fazer a ponte com o passado. E porquê? Porque, se calhar, a pop electrónica e em particular o synth-pop "oitentista" não fizeram parte da formação musical do Álvaro (vénia!) e do Quintão. Falta-lhes referências, dentro do género. Provavelmente, não foi algo que tenham vivido coma mesma intensidade com que nós vivemos, na altura. Aliás, basta ver a música que qualquer um deles passava na rádio aqui há uns anos atrás, na década de 90...Mas, pronto, ainda bem que viram a luz. Afinal, são duas pessoas que respeito e tenho em consideração. Mais vale tarde que nunca, certo?

Abraços

O Astronauta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
O Astronauta disse...

cj,

se queres ouvir um bom programa de rádio sobre pop electrónica e que cruza de forma inteligente o passado com o presente, augiro:

http://www.bbc.co.uk/programmes/b00n8xlk#segments

O último convidado do Mark Jones foi o Rusty Egan (Visage, DJ Blitz Club) e foi uma delícia. Estes sim, sabem do que falam.

Abraços

O Astronauta disse...

Soares,

é engraçado falares de "samples", pois praticamente não ouvi música que utilizasse "samples" nos últimos 10 anos. Nos 90s sim, usou-se e abusou-se dos "samples", até porque a tecnologia era recente e estava pouco explorada. Houve mesmo quem fizesse álbuns inteiros pilhando os discos que tinha na prateleira. DJ Shadow, Beastie Boys e Moby (no "Play"), são bons exemplos de artistas que utilzaram de forma sábia e criativa os samples.
Os Depeche Mode também usaram samples, mas de sons criados por eles próprios, o que é outra conversa.
Na última década, ouvi pouca (ou nenhuma) música que usasse samples. Ouvi muitos discos de gente que "roubou" uma malha de sintetizadores aos Human League e ao Gary Numan, uma batida aos Yazoo, um sequenciador aos OMD, um baixo aos Gang of Four, uma guitarrada aos Talking Heads, mas discos que samplassem outros discos não me entraram no ouvido, nos últimos 10 anos.

Reconheço que a Pop mainstream - o hip-hop e o R'n'B - viveu muito de samples. Nada de anormal, uma vez que o hip-hop nasceu da fuzão de palavras com beats e sons "samplados" de outros discos. Sempre foi assim, hoje e há 30 anos atrás. Como essa Pop mainstream me passou ao lado, não é para aí que eu olho quando faço o balanço dos últimos 10 anos. Caso contrario, teria também de mencionar o nu-metal e os Tokio Hotel. Foco-me apenas na música que ouvi, que escolhi ouvir e que me agradou. E dentro desse (vasto) universo que eu faço o meu balanço desta década. Um balanço que acabou por ser bem positivo.

Fazes bem em investir nos 70s, que nos deram grandes discos de gente como os Kraftwerk, Bowie, T-Rex, Roxy Music, The Clash, Ramones, Talking heads, Devo, B-52s e por aí fora. Houve muito lixo e flacidez nos 70s (nomeadamente os prog-rockers da treta), mas também houve muita coisa boa, para equilibrar a balança.

Abraços

soares disse...

Paulo eu disse “samples” não “samplers”.

Sobre o resto do que dizes, ao fazer uma perspectiva da década, não esqueço o que a dominou. Será essa a ideia que passa.
É isso que nos falamos dos 80s, não falamos das bandas que passaram completamente ao lado. Falamos dos que marcaram.

Sobre os 70’s, esses que tu referes, até pela ligação aos 80s, já eu os metia na tal excepção. É mais o resto, até por vezes dentro do progressivo.
Há bom e mau em tudo e por vezes só muda é a nossa forma de abordar essa musica. Ela não mudou, nós é que mudámos!

Forte abraço

My_Little_Bedroom disse...

De facto era bom que houvesse mais programas com o espírito desse da BBC, que já ouvi algumas vezes. O "Bons Rapazes" poderia ser perfeitamente isso, mas cada vez mais parece ser uma questão de mostrar que se está em cima do que se faz agora...que não é novo, não é propriamente "inovador", antes tem raízes profundas nos anos 80 ou 70 às vezes. Falta muito em Portugal na rádio um programa com esse tipo de objectivo. Pessoalmente, vejo o "Discos Voadores" como uma das melhores aproximações a essa ideia de "ensinar o básico, as raízes, a fonte"...

P.S: Nada melhor que ter um post de opinião para se ter comentários e uma saudável discussão eheheh

O Astronauta disse...

Soares,

não é novidade para ninguém, que a indústria discográfica mudou, o modo como ouvimos música também e a forma como a música toca as pessoas alterou-se profundamente. Já não há êxitos transversais, que cruzem todo o tipo de públicos. Hoje em dia, cada um tem a sua "cena". Para mais, 90% da música que ouço e de que falo aqui nem sequer toca na rádio. E falo de Pop, de música que, em geral, é acessível e que podia perfeitamente passar na rádio. Mas, a rádio morreu. Pelo menos aquela rádio que conhecemos. A rádio não arrisca, não desafia os seus ouvintes, não estimula a descoberta de música nova. Passam-se sempre os mesmos "hits", os mesmos artistas, as mesmas musiquinhas da treta. Felizmente, cresci com outra rádio e não esta coisa formatada e acéfala que ainda por aí a poluir o éter. As consequências desta rádio estão à vista: as pessoas que cresceram a ouvir rádio nos 90s desabituaram-se de ouvir música nova, de ouvir música que as intrigue, as desafie. Essas pessoas ligam a telefonia para ouvir sempre o mesmo, sempre as mesmas cançõezinhas da treta. De preferência, algo que não incomode e não fira os ouvidos. Nunca a música ligeira (os Velosos, as Mafaldas e os Sardets) tiveram tantos fãs...

Ou seja, hoje em dia, é cada vez maior o desfasamento entre a música mais popular e que mais vende e a música que consideramos mais inovadora e arrojada. Ao contrário do que acontecia nos 80s, onde até os Cocteau Twins, os Smiths, os Joy Division e os Bauhaus tinham o seu espaço radiofónico. E, no entanto, havia menos frequências...

Como disse, os 00s para mim não foram os anos do Kanye West, do Timbaland e do Eminem. E no entanto, não deixei de ouvir música Pop nova e excitante. Os 00s, para mim, foram os anos dos Lcd Soundsystem, dos Arcade Fire, dos Junior Boys, dos The Killers, dos Justice...
Repito: quando faço um balanço da década, não o faço (nem me interessa fazê-lo) numa perspectiva "mainstream". Não me interessa a música que encheu os Tops. Não posso comparar, por exemplo, o Justin Timberlake ao Michael Jackson nem a Britney Spears à Madonna, uma vez que nenhum deles teve o mesmo impacto comercial e cultural. Já, nos 80s, era impossível ficar indiferente a Michael Jackson e à Madonna. Podias amar ou odiar, mas não ficavas indiferente. Hoje, o Kanye West pode ser o maior para quem gosta de hip-hop, mas está longe de ser uma estrela de dimensão planetária. Percebes onde quero chegar?

Ainda em relação aos 70s, mantenho a mesma abordagem de quando tinha 13, 14 anos: rock progressivo=anti-cristo. Não digo que não haja uma ou outra coisa de valor, mas no geral é tudo mau demais para ser verdade. God bless punk rock....que deitou fogo a todo esse lixo. Hein, isto são apenas gostos, não te ofendas....eh eh...
Tu sabes que gosto de ter estas conversas contigo, Soares. Afinal, é (também) para isto que servem os blogues.

Abraços.

O Astronauta disse...

Pois é, My Little Bedroom, não foi por acaso que o Reino Unido gerou alguns dos músicos (pop) mais brilhantes de sempre. Aquela gente sabe o que faz. De música percebem eles. Até os Velosos e as Mafaldinhas deles são melhores que os nossos... Nós percebemos de fado e já é um pau...O resto, isso sim, são imitações baratas e (algumas delas) rascas da música anglo-saxónica. Se cada país fosse obrigado apenas a fazer aquilo que sabe, a nós não nos calhava a música, de certeza. Rolhas de cortiça, boa comida, bom vinho...isso sim. Agora, música? No way, man! E rádio também não. É abismal a diferença de qualidade entre a rádio inglesa e portuguesa. E só quem nunca pisou solo britânico é que não sabe do que estou a falar.
Quanto ao "Bons Rapazes", falta-lhe contexto e memória. Exibir novidades sacadas na net é fácil e qualquer um faz. Imaginas-me, por exemplo, fazer um programa de rádio de "heavy-metal" ou de hip-hop tailandês? Claro que não. Porquê? Porque me conheces o suficiente para saber que não percebo patavina nem de uma coisa nem de outra. No entanto, se fosse à net, aos sites e blogues da especialidade saber o que está a dar, garanto-te que era capaz de fazer uma hora semanal com música de ambos os géneros. Será preciso acrescentar mais alguma coisa?
O "Disco Voadores" é outra conversa. O Nuno fala do que sabe e do que gosta. Não o vês passar heavy-metal nem hip-hop tailandês. O Nuno não passou a adolescência a ouvir os Iron Maiden e não acordou em 2009 a gostar dos New Order. Get it?

Abraços.

My_Little_Bedroom disse...

Bastava só dizeres que o Nuno Galopim tem outra rubrica chamada o "Lado A" na RADAR...é suficiente a mostra de categoria que tem passado pelos 5 a 10 minutos desse espaço.

soares disse...

Sobre o “seboso” Prog e derivados dos 70s.
Muito por culpa do "cosmic disco" e de coisas assinadas por Lindstrom e P. Thomas, etc... passei a ver (ouvir) algumas coisas com outros olhos (ouvidos).
Também tinha essa ideia do “cruzes credo canhoto”, mas tenho dado por mim a dizer "Wow", mais vezes do que alguma vez imaginei!
Sobre o resto, ou seja, esta década, sei do que falas, sabes do que falo, acho que nos últimos 2 / 3 anos até melhor bastante, nesta área mais pop electronica, com claras influencias da "synthpop" da nossa juventude, mas olhando a década no todo, muito pouca coisa guardarei dela ou colocarei nos discos que gostava de levar comigo, na minha ultima viagem.
Acho que essa lista, embora não esteja feita, passada para o papel, até já existe na minha cabeça e dificilmente algum titular perderá o lugar, para um dos novos "cracks" emergentes. (esta parte final é o reflexo do Portugal 4 Malta 0 :-)
Os de Malta não sabem, mas a malta de cá, alem de Pop, também gosta de futebol. Há uns mais vermelhos e outros mais verdes. Abraços

PLANETA POP | RADAR 97.8

  • SÁBADOS | 23h-01h
  • DOMINGOS (repetição) | 15h-17h
  • SEXTAS-FEIRAS (repetição) | 23h-01h

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