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Publicada por / quarta-feira, 17 de julho de 2013 / No comments /

OPTIMUS ALIVE 2013 | 3º dia

O terceiro dia do Optimus Alive voltou a amanhecer cinzento. 
No corpo estavam ainda bem presentes as marcas do dia anterior, provocadas pelo concerto dos Depeche Mode. Acordei a sentir todos os músculos das costas e das pernas. A "velhice" é implacável, não perdoa. 
Mas assim que recuperei energias, dirigi-me a Algés na esperança de assistir a mais um punhado de bons concertos. E assim foi. O último dia do festival correspondeu às expectativas. 

Cheguei ao recinto no preciso momento em que os OF MONSTERS AND MEN davam início à sua actuação no palco Heineken, que rapidamente ficou à pinha. Logo me senti deslocado. Tinha-me esquecido de "levar" a barba, os óculos de massa e o boné à camionista. De repente, senti-me numa parada de hipsters. Pior: senti-me no meio de um anúncio de uma operadora móvel. Tive medo! 
Agora, fora de brincadeiras, há bandas que não fazem música para mim. Os Of Monsters And Men são uma dessas bandas. Demasiado folk para os meus ouvidos "sensíveis", habituados a outras guitarras (mais electrificadas). 
Não consigo perceber este fenómeno "folk-pop" inócuo e inofensivo que, de repente, se espalhou pelo universo indie como um tumor maligno. Mas a julgar pela multidão que se acumulou em redor do palco Heineken para ver estes islandeses, a fórmula resulta.

Assim que pude, corri dali para fora, em direcção ao palco Optimus, para assistir à actuação dos TAME IMPALA
Como se esperava, a banda de Kevin Parker espalhou o seu rock psicadélico de cores garridas por Algés, com uma prestação enérgica e intensa, que merecia mais público. Às tantas, mais valia que tivessem actuado no palco Heineken, onde, por certo, teriam casa cheia e seriam recebidos com uma atmosfera mais vibrante. De qualquer forma, ainda foram muitos aqueles que assistiram a mais um excelente concerto destes australianos em palcos nacionais, o último da actual digressão europeia. 

Terminada a actuação dos Tame Impala, regressei ao palco Heineken para assistir a um dos concertos que mais queria ver neste derradeiro dia do Optimus Alive: os TWIN SHADOW
E George Lewis Jr não me desapontou. 
As canções de "Forget" e "Confess" surgiram menos electrónicas e com uma roupagem mais roqueira, mas nem por isso perderam integridade. Em compensação, ganharam pujança e viço. Uma opção compreensível, tendo em conta o contexto do concerto. 
As guitarras voltaram a soar mais alto, já na recta final do espectáculo, através de uma cover de "Panama", dos Van Halen, que surgiu colada a "For Now". De repente, George Lewis Jr tinha-se transformado numa espécie de Lenny Kravitz dos pobres. 
Ainda assim, o público foi generoso para com os Twin Shadow e perdoou-lhes essa e outras ousadias. Já o tinha feito, muito antes de George Lewis Jr confessar que a sua preferência pelo público português em detrimento do espanhol. Sabes muito, ó George!

Num festival, a variedade de palcos e a sobreposição de horários, por vezes obriga-nos a fazer escolhas, algumas delas complicadas. Ao optar pelos Twin Shadow, acabei por perder o concerto dos PHOENIX, no palco Optimus. No entanto, pelo que consegui apurar, os franceses souberam estar à altura da responsabilidade, fazendo da sua pop solarenga e vitaminada um constante apelo à festa, que encontrou receptividade num público que estava ali para os ver. Ainda bem. 

Depois do concerto no Vodafone Mexefest, no ano passado, os britânicos ALT-J protagonizaram, no Optimus Alive, um regresso triunfante a palcos nacionais. 
O palco Heineken voltou a ser pequeno para receber todos aqueles que os queriam ver. Estão nas boas graças do público português. E isso notou-se pelos temas cantados em uníssono do princípio ao fim, as palminhas fora de tempo e os gritinhos histéricos sempre que a banda começava uma nova canção. Claramente, existe uma história de amor entre estes rapazes de Leeds e o público indie nacional. E o amor, dizem, perdoa tudo. Até uma versão de "Slow", uma canção de Kylie Minogue que os Alt-J souberam fazer sua. Belíssimo concerto. 

Seguiram-se os BAND OF HORSES, que não vi, porque não aprecio. E se tivesse visto, seria apenas para escutar "Funeral", que continuo a considerar a obra-prima destes norte-americanos.

Pertenceu aos DJANGO DJANGO outro dos concertos mais vibrantes e intensos desta edição do Optimus Alive. 
O quarteto de Londres levou ao delírio uma plateia sedenta de emoções fortes e de canções que enchem a alma.Temas como "Hail Bop", Default" e "Life's A Beach" foram recebidas de forma apoteótica, quase religiosa, por uma multidão que, tão depressa, não esquecerá este concerto. Nem eles, nem eu. 

Uma última nota para cabeças de cartaz, os KINGS OF LEON, que regressaram a palcos nacionais depois do concerto no Rock In Rio, por onde passaram praticamente despercebidos, há cerca de 9 anos. 
Não sendo um grande fã do clã Followill, a verdade é que também não embirro com esta rapaziada. Têm até uns três ou quatro temas que aprecio imenso, caso de "Knocked Up", "Closer", "Arizona" e...errrr, "Sex On Fire". 
No entanto, não o suficiente para perder uma hora e meia da minha vida com um concerto que, apesar de competente e visualmente cuidado, é um autêntico desfilar de clichés rock'n'roll para o qual já não tenho pachorra. Ou melhor, até tenho, mas é quando esses clichés são genuínos. Porque também os há. No caso dos Kings Of Leon, tudo me soa demasiado "ensaiado". Por isso resolvi rumar a outros palcos, que ofereciam propostas bem mais interessantes e condizentes com os meus gostos. É esse um dos encantos dos festivais, certo? 



E pronto, foi mais um Optimus Alive. 

Segundo a organização, passaram cerca de 150 mil pessoas pelo Passeio Marítimo de Algés. Cerca de 15 mil eram estrangeiros. O que não deixa de ser um número impressionante e que diz muito da implantação do festival em mercados internacionais. 

Espero que tenham gostado desta primeira cobertura do PLANETA POP a um festival de Verão. Foi a cobertura possível. 
Um dia, quando formos tão grandes como a Pitchfork, teremos 10 repórteres no terreno a cobrir eventos desta dimensão...eheheheh...ou não, ou não. 

Para o ano, há mais. 

Agora...siga para o Meco. 
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